Professora é condenada por chamar aluno de 'carvãozinho' em Bequimão
Por Nodson Júnior / 28 de outubro de 2026

Centro Educacional Aniceto Cantanhede. Foto: Reprodução.
Docente da rede estadual recebeu pena de três anos, 11 meses e 19 dias por injúria racial contra estudante negro e quilombola; ela pode recorrer em liberdade.
Uma professora da rede estadual foi condenada a três anos, 11 meses e 19 dias de prisão por injúria racial contra um estudante negro em Bequimão, na Baixada Maranhense. A pena será cumprida em regime inicial semiaberto, com pagamento de 32 dias-multa.
A sentença é da juíza Patrícia Carvalho Correia, da Vara Única de Bequimão. Como respondeu ao processo em liberdade, a professora poderá recorrer sem ser presa. O nome dela não foi divulgado.
O que aconteceu
O caso ocorreu em 10 de abril de 2025, durante uma aula de Geografia no Centro Educacional Aniceto Cantanhede. O adolescente, conhecido pelos colegas como "Foguinho", foi chamado pela docente de "carvãozinho" na frente da turma. Uma aluna alertou que a fala era racista, e, segundo testemunhas, a professora respondeu com deboche.
No processo, a professora negou o crime, mas admitiu ter usado a palavra, alegando que se referia a combustível por causa da agitação da turma.
A decisão
Para a juíza, a injúria racial não depende de premeditação ou de conflito anterior. Ela entendeu que usar "carvãozinho" para se referir a um adolescente negro, de origem quilombola, associou de forma depreciativa a cor da pele dele a algo preto e queimado — uma "rotulação fenotípica depreciativa", e não uma brincadeira.
Impacto na família
O estudante relatou ter ficado triste, envergonhado e desanimado. A avó, Maria Lúcia Pereira Diniz, moradora da comunidade quilombola de Pontal, percebeu a mudança no neto e registrou boletim de ocorrência em 14 de abril de 2025. Na época, estudantes e moradores protestaram em frente à escola, e a Seduc afastou a professora e abriu procedimento administrativo.



